Evidência científica

Vitamina K2 MK-7: qual dose eficaz?

Equipe Integrativa · 2026-08-29 · 7 min de leitura

A vitamina K2 na forma MK-7 tem estudos clínicos, mas a evidência não permite definir uma única dose eficaz para todas as pessoas ou prometer prevenção de fraturas, infarto ou calcificação arterial. Em ensaios com mulheres na pós-menopausa, 180 mcg por dia de vitamina K2 MK-7 foram usados por até 3 anos e mostraram mudanças favoráveis em marcadores relacionados ao metabolismo ósseo; os resultados clínicos mais importantes ainda são limitados e variam entre estudos.

A resposta honesta é que 90 a 180 mcg diários de vitamina K2 na forma MK-7 é a faixa mais frequentemente discutida em suplementos e pesquisas, mas isso não equivale a uma recomendação individual. Idade, alimentação, uso de medicamentos e objetivo de saúde mudam a conversa. Constância, indicação profissional e os demais hábitos têm mais peso do que procurar uma dose “ideal” isolada.

O que os estudos mostram?

A vitamina K participa da ativação de proteínas dependentes de vitamina K, incluindo a osteocalcina, presente no tecido ósseo, e a proteína Gla da matriz, encontrada em vasos. A vitamina K2 na forma menaquinona-7, ou MK-7, é uma das formas de vitamina K2 estudadas em suplementação porque permanece mais tempo circulante que a vitamina K1, a filoquinona.

O nível de evidência é moderado para o efeito da vitamina K2 MK-7, em doses como 180 mcg por dia, sobre marcadores bioquímicos de carboxilação da osteocalcina em alguns grupos. Isso quer dizer que a vitamina pode alterar um marcador ligado ao metabolismo do osso. É um achado biologicamente coerente, mas um marcador não é sinônimo de menos fraturas, mais densidade óssea para todos ou tratamento de osteoporose.

Há ensaios clínicos com mulheres após a menopausa usando 180 mcg diários de vitamina K2 MK-7 por 2 a 3 anos. Alguns encontraram preservação mais favorável de medidas ósseas em partes específicas do esqueleto; outros resultados foram menores ou não se repetiram com a mesma magnitude. Estudos sobre rigidez arterial e calcificação também existem, mas são menores, usam populações diferentes e ainda não comprovam que a MK-7 previna eventos cardiovasculares.

Portanto, há plausibilidade biológica e estudos em humanos, mas não uma certeza clínica ampla. Para uma visão geral sobre funções, fontes e interações da vitamina K, consulte o material do NIH sobre vitamina K.

Qual a dose usada nos estudos?

Quando a pergunta é “vitamina K2 MK-7 dose eficaz”, 180 mcg por dia é a referência mais útil porque aparece em ensaios clínicos de longa duração com mulheres na pós-menopausa. Estudos também usam 90 mcg, 100 mcg e doses mais altas, como 360 mcg por dia, dependendo do desfecho investigado. Essas doses não podem ser tratadas como equivalentes nem transferidas automaticamente para homens, adultos jovens ou pessoas com doenças específicas.

A ingestão adequada total de vitamina K estabelecida para adultos é de 90 mcg por dia para mulheres e 120 mcg por dia para homens. Esse número se refere à vitamina K total na alimentação, não a uma meta específica de MK-7 suplementar. Verduras verde-escuras contribuem principalmente com vitamina K1, enquanto alimentos fermentados podem fornecer algumas formas de vitamina K2, em quantidades muito variáveis.

Em termos práticos, 90 a 180 mcg de vitamina K2 na forma MK-7 é uma faixa de referência baseada em estudos e em formulações do mercado, não uma prescrição. Doses acima disso não têm demonstração consistente de benefício adicional. Mais dose também não substitui cálcio dietético adequado, exercícios com impacto ou resistência, consumo proteico e avaliação de vitamina D quando houver indicação.

Qual forma química importa?

A vitamina K não é uma substância única. A vitamina K1, chamada filoquinona, é mais comum nos vegetais. A vitamina K2 reúne menaquinonas, como MK-4 e MK-7. A MK-7 é uma forma química de vitamina K2 com maior tempo de permanência no organismo quando comparada à K1 e à MK-4, uma característica farmacocinética que ajuda a explicar seu uso em pesquisas com doses diárias de 90 mcg a 180 mcg.

Essa diferença de absorção e circulação não prova que a MK-7 seja superior para todos os desfechos clínicos. A alegação de que uma forma “leva o cálcio direto para os ossos” simplifica demais a fisiologia e ultrapassa o que os ensaios demonstram. O organismo regula o cálcio por diversos sistemas, incluindo vitamina D, paratormônio, função renal, alimentação e atividade física.

Em suplementos combinados, é importante distinguir evidência do ingrediente e evidência da fórmula completa. O Adek Pro contém vitaminas A, D, E e K2 em gotas, mas os estudos citados sobre 90 mcg ou 180 mcg de vitamina K2 MK-7 não são, por isso, estudos clínicos da fórmula específica. Para entender melhor as funções associadas às duas vitaminas, leia também o guia vitamina D3 e K2: para que serve.

Em quanto tempo?

A vitamina K2 na forma MK-7 pode alterar marcadores laboratoriais em semanas ou meses, especialmente marcadores de proteínas dependentes de vitamina K. Isso é evidência de efeito biológico, não de resultado clínico definitivo. Alterações em densidade mineral óssea, quando observadas, tendem a ser avaliadas após 1, 2 ou 3 anos, não em 30 dias.

Não é realista esperar que 90 mcg ou 180 mcg por dia de MK-7 “descalcifiquem artérias” em poucas semanas. Essa promessa não tem suporte clínico robusto. Estudos vasculares disponíveis medem parâmetros intermediários, como rigidez arterial ou calcificação por imagem, e não provam redução de infarto, AVC ou mortalidade em pessoas saudáveis.

Para saúde óssea, o tempo também depende do contexto. Uma pessoa com baixa ingestão de cálcio, deficiência de vitamina D, sedentarismo ou tabagismo não resolve esses fatores com MK-7. Quando a vitamina D for necessária, a forma química mais usada é a vitamina D3, o colecalciferol, em dose definida por profissional conforme exame, exposição solar, idade e condição clínica. A informação ao consumidor do NIH sobre vitamina D detalha seus limites e fontes.

Para quem faz sentido?

A suplementação de vitamina K2 na forma MK-7, em faixas como 90 mcg a 180 mcg por dia, pode ser discutida por adultos que desejam complementar a ingestão de vitamina K e têm alimentação restrita ou baixo consumo de fontes alimentares. Mulheres após a menopausa são o grupo mais estudado para desfechos relacionados ao osso, embora isso não transforme MK-7 em tratamento isolado para osteopenia ou osteoporose.

Pode fazer sentido como parte de uma estratégia ampla, especialmente quando há atenção à alimentação, proteína, exercícios de força e impacto adaptados, sono e avaliação médica dos fatores de risco. Pessoas com fratura por fragilidade, osteoporose confirmada ou doença cardiovascular estabelecida precisam de acompanhamento clínico. Nesses casos, um suplemento não deve atrasar diagnóstico ou terapias comprovadas.

A prioridade é ainda maior para quem usa varfarina ou outro anticoagulante antagonista da vitamina K. A vitamina K1 e a vitamina K2 MK-7 podem interferir no controle da anticoagulação. Não é seguro iniciar, parar ou mudar uma dose de 90 mcg, 180 mcg ou qualquer outra sem orientação do médico que acompanha o anticoagulante.

O que a evidência NAO garante?

A evidência não garante que vitamina K2 MK-7, mesmo em 180 mcg por dia, previna infarto, AVC, demência, varizes, rugas ou fraturas em toda pessoa que a utiliza. Também não garante reversão de calcificação arterial. Essas promessas são mais fortes do que os dados disponíveis.

A evidência tampouco mostra que todos precisem suplementar MK-7. A deficiência clínica de vitamina K é incomum em adultos saudáveis, embora a ingestão, a absorção intestinal e as necessidades possam variar. Doenças intestinais, cirurgias bariátricas, alterações hepáticas e uso de certos medicamentos exigem avaliação individual.

No Brasil, suplementos alimentares não substituem alimentação equilibrada nem medicamentos, e devem seguir as regras aplicáveis da Anvisa. Vale consultar as orientações da Anvisa sobre suplementos alimentares e verificar o rótulo para identificar a forma química, a quantidade por porção e o modo de uso.

A conclusão prática é simples: a vitamina K2 na forma MK-7 tem base científica mais concreta em doses de 90 mcg a 180 mcg por dia para marcadores relacionados ao metabolismo ósseo, com estudos clínicos de até 3 anos. Isso é diferente de comprovar grandes benefícios clínicos para todos. Escolher uma dose adequada depende do contexto; manter hábitos consistentes e acompanhamento quando necessário continua sendo a estratégia mais confiável.

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